Já algum tempo que esperávamos pela altura certa para fazermos esta viagem. Finalmente nos decidimos pelo fim de semana que quase coincidia com o solstíciode verão (com alguma esperança de apanharmos umas condições meteorológicas perfeitas para caminhar pela montanha).
Após uma viagem no ferryboat mais rápido de sempre até a nossa ilha iniciamos a caminha. Destino: algures na montanha, um sitio com água e com vista para o glaciar.
(jantar às 3h da manhã… à luz do sol)
Queríamos ir até ao glaciar no segundo dia, mas sem dúvida que o tempo não estava a ajudar… alguma chuva, vento, e mais acima na montanha, neve. O glaciar ainda estava coberto de neve o que impossibilitou vermos a cor do seu gelo, em tons de rosa. De qualquer forma foi possível vermos a cor da água que vem do glaciar… esbranquiçada, quase como se estivesse cheia de leite.
Durante este fim de semana realmente invernoso, lembrei-me por várias vezes de todos aqueles que diariamente me dizem o quão bom o tempo está em Portugal, e mesmo a sul da Noruega… Finmark é mundo um bocadinho diferente.
O dia da volta acordou péssimo. Muitíssimo vento, chuva sem parar com momentos de granizo e por vezes neve… tivemos que caminhar durante 6 horas seguidas para encontrar o caminho certo para descer a montanha e ir até à pequena vila onde o barco iria parar. Bastante molhados, apenas com o objectivo de chegarmos à vila a tempo de apanhar o barco, não houve sequer o impulso de parar e tirar uma fotografia. De qualquer forma ficam umas excelentes recordações de uma experiência algo dura… e uma muito maior capacidade de apreciar o verão mediterrâneo.
Caminhar é para mim a melhor forma de conhecer. Passo a passo há sempre qualquer detalhe ou barulho novo para investigar. É, sem duvida, muito mais especial caminhar num lugar que à partida, apesar de repleto de vida, poderá parecer inóspito, moldado pela agressividade do clima, e ainda assim, sentir-mo-nos confortáveis com aquilo que estamos a fazer… explorar.
Atentamente tentar dissecar todas as características da paisagem para assim nos conseguirmos deslocar. Linhas de festo, vales, pântanos, rios, tipos de plantas, ou simplesmente a beleza do lugar… todos são estes são factores que nos levam a tomar um ou outro caminho, a percorrer mais ou menos quilómetros, a andar pelos caminhos mais acessiveis ou a espreitar por detrás do pano.
Esta é uma pequena parte de Sørøya, a “ilha do sul” que se encontra cá bem no Norte.
Dia 17 de maio do ano de 1814 foi assinada a primeira constituição Norueguesa.
Cada pessoa veste o fato característico da zona do país de onde são oriundos (que totalizam mais de 100 fatos diferentes) e saem à rua, desfilam, cantam, sorriem. É sem dúvida uma grande dose de patriotismo ao mais alto nível. Acima de tudo, no meio de uma multidão aperaltada com os seus “fatos nacionais”, senti-me como se estivesse num filme de época.
Ao longo do dia, e depois de várias horas de conversa sobre o significado do 17 de Maio, apercebi-me que este dia é principalmente dedicado às crianças… e foi então que fui convidado a resolver um problema um bocado malcheiroso. E pronto, lá fiz eu a minha contribuição para o aumento da qualidade de vida de uma criancinha chamada Einar.
E pronto, lá fiz eu a minha contribuição para o aumento da qualidade de vida de uma criancinha chamada Einar. E sim, o recheio daquela fralda era mais que muito!
Apesar de ter de passar o meu aniversário longe de Portugal, fiz questão de pelo menos passa-lo junto ao mar.
Aproveitando o facto de por esta altura já haver luz 24 horas por dia (apesar de só ter sol umas 19 horas diárias), fizemos uma bela churrascada numa praia bem pertinho de minha casa.
Foi uma tarde/noite muito bem passada com direito a um excelente jantareco de salmão preparado pela Marta, e um bolo de aniversário feito pelo Stian (os meus “concubinos” de serviço ).
Por ano a NLA (associação de arquitectos paisagistas Noruegueses) promove duas conferências nacionais. Uma é realizada numa das “grandes” cidades do país e aborda uma temática a ser explorada por arquitectos paisagistas ou outros profissionais nacionais ou internacionais. A outra conferência é realizada numa cidade mais pequena, com o objectivo de explorar a identidade desse lugar.
Este ano nós estamos organizar esta segunda conferência que vai ter lugar numa cidade perto de Alta, em Kautokeino. De modo a publicitar a nossa conferência fizemos um “teaser” (neste caso foi um pequeno filme) a ser exibido esta sexta-feira, dia 12 de Março em Oslo.
Durante meses de baixas temperaturas e depois de vários nevões, a paisagem transforma-se. Um enorme silêncio e calma invadem-na… As plantas escondem-se debaixo da neve, os lagos e os rios congelam, e os animais subtilmente deixam as suas pegadas. É como se tudo decidisse parar, aguardar pelo melhor momento para renascer.
É incrível a sensação de esquiar em cima de um rio congelado, parar durante um minuto e ouvir a água correr por debaixo de nós. É uma enorme beleza que nos enche os olhos… é aqui que percebemos que não passamos de formiguinhas na imensidão que é a Natureza.
No âmbito do “Borealis winter festival” em Alta, foi construída uma escultura de gelo dada pelo nome de Fri Sikt.
A ideia foi a criação de um “miradouro” afastado de qualquer fonte de luz baseada no uso desnecessário de electricidade. São gastos milhões de kilowatts em iluminação exterior de coisas que realmente não se querem iluminadas… é assim que o céu nocturno perde a escuridão necessária para se ver, aqui em Alta, as auroras boreais.
Este miradouro foi criado a uma distância relativamente curta do centro da cidade, num ponto de onde se vêm as montanhas e o fjord, e onde a ausência ou o controlo sobre a luz existente torna fácil a visualização das auroras.
DIA 1 – Tudo se iniciou com estrutura de 5m de comprimento, 4m de largura e 3m de altura, que de uma forma sistematica, durante 5horas, foi enchida de neve que ia ser compactada à medida que era depositada.
DIA 2 – Estrutura suporte foi removida e o bloco de gelo começou a ser esculpido.
DIA 3 – Pormenores e finalização da escultura.
É sempre uma sensação óptima moldar ou construir algo… esculpir todos os pormenores, conceber uma forma. Quando se trata de um “objecto” deste tamanho mais interessante se torna, especialmente tendo em conta o material com que foi construido. Depois de compactada a neve fica realmente sólida, o que só tornou mais surpreendente a facilidade e a suavidade com que pode ser esculpida.